19.7.11

DE TEMPO

 

Pena que o tempo,

Em sua fúria,

Em teu nome tenha alagadiças areias

Foram ventos, chuvas, ressacas,

E cada vez que olhavas para trás,

Teu nome em meus poemas,

Apagados estavam, há muito,

Não há nada que com ele possa

Talvez em seu anseio,

Não encontre caminho,

A treva se instala,

No tempo que descuida,

Toda esperança torna em bruma,

E nós, os restantes seres,

Nos vemos à caça da derrota,

Mas põe-se tarde;

Ele, o inexorável, nos deixa,

A plena vela,

Navegando em sua furiosa borrasca,

Não, o tempo não é amigo,

Ele é companheiro,

Amigo?

Jamais!

Tempo no tempo é algo que não há,

Ele mesmo já o perdeu,

Hoje, como d'antes,

Sai em busca de si mesmo,

Todos os dias,

Tal como nós, outrora.

 

Marcilio Ribeiro