Pena que o tempo,
Em sua fúria,
Em teu nome tenha alagadiças areias
Foram ventos, chuvas, ressacas,
E cada vez que olhavas para trás,
Teu nome em meus poemas,
Apagados estavam, há muito,
Não há nada que com ele possa
Talvez em seu anseio,
Não encontre caminho,
A treva se instala,
No tempo que descuida,
Toda esperança torna em bruma,
E nós, os restantes seres,
Nos vemos à caça da derrota,
Mas põe-se tarde;
Ele, o inexorável, nos deixa,
A plena vela,
Navegando em sua furiosa borrasca,
Não, o tempo não é amigo,
Ele é companheiro,
Amigo?
Jamais!
Tempo no tempo é algo que não há,
Ele mesmo já o perdeu,
Hoje, como d'antes,
Sai em busca de si mesmo,
Todos os dias,
Tal como nós, outrora.
Marcilio Ribeiro

