Desde tanto, desde sempre
Não me socorro na crença,
Nenhuma me restou,
Exceto o abandono dos esquecidos
Já não nos resta o que buscar,
Em quem crer,
Tudo nos foi tomado
Terá alguma esperança sobrevivido?
Depois de tantas desilusões
Não há que sorrir,
Pois também o sorriso houveram por tomar-nos
Eles, aqueles que lá estão,
Cientes na sua maldita empáfia
Ousarão enquanto permitirmos,
Tomarão tudo que dispusermos,
Nossa alma mesma nos será tomada,
Que restará de nós ao fim?
Malditos sejam em sua voracidade,
Sei que dia chegará,
E todos haverão de mortos,
Em suplica pedir por piedade,
Mas não a terão,
O que nos negaram,
Lhes será negado,
O que tomaram,
Perderão,
Daqueles que tripudiaram,
Serão eles o capacho,
Todos os pés pisarão em suas faces,
Todo o escárnio que votaram,
Eles o terão em bom tamanho,
Sempre, sempre e sempre.
Marcilio Ribeiro


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