27.7.10

Não penso mais e não sinto tão pouco

Não penso mais e não sinto tão pouco.
Porque haveria? Não me deixam escolha,
Nunca deixaram, eu nunca deixei, pessoas não se dão escolhas,
Pessoas não dão ao próximo nenhuma escolha.

Só nos resta o grito, o desespero franco e caduco dos loucos,
O brado dos perdidos! Quando foi que me perdi em mim?
Não, não me perdi, apenas jamais encontrei alguém como eu,
Nem em mim nem em ninguém.

Muito mais que simples perdidos, somos seres inconstruídos,
Ruínas de homens mortos, amontoados sob o peso da história,
Por nossos próprios escombros,
Afogados em nosso sangue ancestral.

Ah, se pensar nos trouxesse glória,
Nós, os pensantes seres jamais seríamos derrotados,
Nós, estes seres, triunfaríamos sobre os azougues,
A sangrenta história navegaria na água cristalina.

Não vos curveis a esses carrascos da liberdade alheia,
Que vos tentam ditar da bula à dieta, que constroem muros,
Não vos alegreis diante da pequena conquista,
Pois vós sois a conquista pela qual eles lutam.
Sejais vós mesmos a voz da liberdade que luta pela grandeza,
Pois liberdade é bem grandioso e não pode ser tolhida por mesquinhos seres inferiores!

Rompam em grito o silêncio dos imortais,
Sejam vós mesmos Imortais,
Sejam a voz do alvorecer,
O punho do esclarecimento,
O projétil da liberdade verdadeira que rompe todos os Grilhões,
Que vosso grito cale os injustos e os afaste de todo poder,
Que assoberbe de pavor os maus e que vos liberte de todos os vossos limites!
Para sempre e para sempre!

Mark B. Röttenberg ©2010

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