UMA INTRODUÇÃO
- Creio que uma introdução pode ser explicativa ou simplesmente expositiva. E a minha introdução do livro “Fragmentos de uma Jornada” deve ser imperativamente expositiva. Há motivos variados para que seja assim.
Este livro que agora entrego aos leitores surge de um anseio muito particular, em que as minhas certezas, ainda que poucas, me vêm de minhas singularidades enquanto homem, com minhas esperanças e desilusões.
Primeiramente, o nome com o qual assino esta obra. Porquê Mark Bernhardt Röttenberg, quando poderia ter utilizado meu nome de batismo? Essa exposição de motivos clareará as percepções. Conto atualmente com 44 anos e tenho a me habitar um espírito cosmopolita, o qual nasceu comigo. Sou um homem cosmopolita por excelência e por opção, e procuro agir em acordo com meu sentir. Mark B. Röttenberg representa em última análise um de meus muitos Eu, e todos o tem, não importando o nome, em alguma medida. Somos vários e somos um durante nossas vidas. E esse que se assina, é o homem em mim que depreendeu melhor o caráter fragmentário das experiências e da própria vida em si; não estou negando minha essência, pois ao fazer tal afirmação sou a representação do Judeu errante e por isso cosmopolita; não sou um apátrida como muitos preconceituosamente rotulam o povo Judeu.
Pude verificar ao longo de minha própria jornada que a riqueza era a sua própria fragmentação e que a soma desses fragmentos, ainda que não seguindo uma ordem, nos dão a perspectiva do Ser.
Por isso mesmo, os poemas, crônicas e prosas apresentados não seguem necessariamente uma ordem cronológica. São uma representação de percepções que se formam em todo um espaço de tempo. Nossa memória apreende nossa história, mas sempre em um processo empírico e caótico.
Caracteriza-se nessa obra e de forma clara, esse processo aleatório de compilação de minha vida e também as várias características que nos fazem tão complexos.
Sim, são “Fragmentos de uma Jornada”, com todos os acidentes e incidentes que devem fazer parte de nossa caminhada terrena. E mais, são a soma de uma análise última em que o homem cosmopolita expõe-se para demonstrar todos os contraditórios e seus contrapostos. É a riqueza que cada um de nós, e a seu próprio tempo, haverá de encontrar ao finalmente deixar-se só, despido e frágil o suficiente para ver-se no espelho. Este momento crucial nos mostra quem e quantos somos e qual desses se expressa melhor perante um mundo em constante transformação. Somos os camaleões do tempo e de nós mesmos. E aqueles que se recusam a enxergar essa realidade fragmentária estão fadados ao desespero daquela morte dos desistentes.
Espero que essa obra possa contribuir e até mesmo servir como estímulo para que todos encarem seus espelhos da alma, encontrem seus fragmentos e, pacientemente, comecem a uni-los um a um, formando seu fragmento único e maior que é sua própria existência.
Mark B. Röttenberg - 2007
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