18.10.07

QUATRO ELEMENTOS

Sou o Fogo e minha chama não se consome,
Queimo os incautos,
Ilumino os caminhos de quantos em mim ousarem;
Sou Ar, incontido estou em todos os lugares,
Trago comigo o som, levo comigo as palavras,
Todas ditas;
Sou Terra e meu amparo permite que outros caminhem,
Sou a Terra que tudo provê,
A todos, indistintamente;
Sou Água e minha pureza,
Lava os mais sórdidos,
E vivifica os mais sedentos;

Sou os quatro elementos,
Mas sou mais,
Sou até mesmo o elemento que tu desconheces,
Aqueles mesmos que somados,
Trazem em si o éter e a libertação;

Sim, sou capaz da libertação,
Detenho todos os segredos,
Nutro todas as querências;

Haverá dia em que todos serão,
Cada um em seu elemento,
Que lhe seja próprio;
Sou a soma das liberdades de cada um,
Mas posso ser seu mais cruel cárcere;
Se me tocam, enquanto sou chama,
Queimá-los-ei, todos;
Se me prendem, enquanto sou ar
Não me terão, sou fluído;
Sou fértil e pródigo, enquanto sou terra,
Mas posso ser árido e dar-lhes a desolação;
Sou aquele que deixa-se navegar, enquanto sou água,
Mas posso, revolto, levá-los todos, às mais trevosas fossas abissais.

Portanto, saibam tocar minha límpida chama do conhecimento,
Deixem que eu inunde seus pulmões do mais puro ar,
Permitam que meus férteis campos lhes dêem a fartura,
Saibam navegar em minhas águas, elas são a própria essência da vida.
Do contrário,
Farei de suas esperanças, cinzas;
Apresentar-me-ei como o mais terrível dos tornados;
Serei a terra que se abrirá sob vossos pés, para vos tragar às profundezas;
Serei mar violento, que antes, não saciará vossa sede, mas os afogará, a todos.

Mark B. Röttenberg - 2007

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