Renunciamos todos os dias,
Que sejam nossos sonhos as vitimas,
Ou talvez a improvável e mutável realidade.
De um ou de outro nos chega a decepção e
Seus desesperos quase nos fazem acreditar;
E deveríamos?
Devemos, por breves momentos renunciar,
Pois a renúncia é ato de constrição e,
Como todo ato introspectivo,
É ato de renascimento,
É ato que nos conduz por escaninhos que
Nós mesmos nos recusamos a visitar.
Ao menos de forma gratuita.
Então o próprio caminho nos põe
Frente a frente com nossos medos,
Todos esquecidos,
Todos trancados,
Mas jamais mortos.
Afinal, são nossos medos, todos nossos.
Mas que medos nos defrontam,
Ou o que nos atemoriza?
Seria o amanhã?
Mas não há amanhã,
Não houve um ontem.
Há no hoje, o nosso contentamento último,
O derradeiro domínio das almas fracas.
Permitam-me, permitam-me,
Que os faça sofrer,
Pois assim estarei lhes dando a chance
Que precisavam,
A chance da liberdade,
A ilusão do demônio dos dias desfar-se-á,
Como o mais passageiro dos ventos,
Que não tornarão a uivar noturnamente,
Impedindo seus sonhares e seus despertares.
Sinta, alce vôo, alimente-se das estrelas.
Elas são a luz que aquece,
Ainda que precariamente este frio e escuro universo
De sua alma.
Mark B. Röttenberg - 2007


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